É necessário diferenciar o laicismo, como privatização do religioso e exclusão da vida pública, da laicidade, que supõe a separação necessária entre a Igreja e o Estado, assumindo o religioso como parte da esfera social.Assim afirmou ontem o secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, durante um congresso no Campidoglio, por ocasião do 60º aniversário da aprovação da constituição italiana. No ato estiveram presentes personalidades de todas as tendências, como Mario Cutrufo, Giulio Andreotti, Massimo D'Alema e Gianni Alemanno, prefeito de Roma.
Em seu discurso, o cardeal Bertone recordou que a Constituição da Itália «está baseada no princípio da laicidade». Mas laicidade entendida no sentido anglo-saxônico e não no francês, «que fez da França da terceira República um modelo de comportamento anti-religioso».
«Este princípio precisa ser aprofundado», afirmou o purpurado. «Há elementos que auguram uma evolução daquela rígida laicité. Junto ao modelo francês de laicidade, está o anglo-saxão, que mostra outra aproximação do fato religioso.»
Na Itália, acrescentou o cardeal Bertone, enquanto muitos pensadores expressam um conceito de laicidade «aberto ao diálogo e à confrontação construtiva», alguns meios de comunicação expressam «uma laicidade cultural definida por oposição ao fato religioso (cristão), assumida como modelo de uma laicidade política que parte do critério de exclusão do religioso».
O secretário de Estado recordou o diálogo entre o então cardeal Joseph Ratzinger e o filósofo Jurgen Habermas, no qual se concluiu que «uma autêntica democracia leiga permite às instituições religiosas que publiquem suas mensagens para poder oferecer aos cidadãos uma matéria de reflexão de forma equânime».
Impedir as Igrejas de mostrarem sua postura sobre qualquer tema «não é um ato de laicidade, mas de ostracismo para um sistema de valores, só porque este não encaixa dentro da cultura dominante», acrescentou.
«Alguns defensores da laicidade crêem que não devem existir valores absolutos, porque sua existência pressuporá automaticamente a falta de laicidade. Habermas, ao contrário, afirma que para salvar-se do risco do relativismo radical e do totalitarismo ideológico, são necessários uns princípios absolutos, segundo, diz ele, o ‘mínimo comum ético’.»
A tarefa de qualquer pessoa que tenha um sistema forte de valores, seja católico ou de outra confissão ou cultura, afirma o cardeal Bertone, é a de «realizar o esforço de traduzir seus próprios valores à ‘linguagem universal’ do debate democrático».
O resto do artigo pode ser lido aqui
6 de Agosto de 2008
2 de Julho de 2008
Questões sobre Laicidade - Frei Bento Domingues 2 de 2
Conferências de Maio 2008 do Centro de Reflexão Cristã.
Intervenção de Frei Bento Domingues sobre o tema "Laicidade, Laicismo e Modernidade".
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Questões sobre Laicidade - Frei Bento Domingues 1 de 2
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1 de Julho de 2008
Questões sobre laicidade - Peter Stilwell 3 de 3
Conferências de Maio 2008 do Centro de Reflexão Cristã.
Intervenção do Padre Peter Stilwell, na 4ª Conferência: "Portugal, Democracia Laica e Plural".
Questões sobre laicidade - Peter Stilwell 2 de 3
Conferências de Maio 2008 do Centro de Reflexão Cristã.
Intervenção do Padre Peter Stilwell, na 4ª Conferência: "Portugal, Democracia Laica e Plural".
Questões sobre laicidade - Peter Stilwell 1 de 3
Conferências de Maio 2008 do Centro de Reflexão Cristã.
Intervenção do Padre Peter Stilwell, na 4ª Conferência: "Portugal, Democracia Laica e Plural".
20 de Junho de 2008
Encontro ecuménico

Realiza-se na Suíça, a 40 km de Zurique. Católicos e protestantes encontram-se para uma celebração anual comum, na igreja católica. O tempo está soberbo. A música e o coro são um encanto.
Sou convidado a intervir e a presidir à Eucaristia. Uma mulher ordenada estava perto de mim, no coro.
O clima do encontro impressiona-me: há uma relação de igualdade que se estabelece de imediato. Muito simplesmente, um ser humano dirige-se a outro, para lá das máscaras, dos títulos, das funções. A experiência mostra que não se pode testemunhar o Evangelho a partir de uma situação de poder, isto é, quando se tem uma relação de superior para inferior. Mas quando as relações humanas se estabelecem entre iguais, num ambiente de verdade, então o Evangelho tem oportunidade de ser anunciado. É o que se passa nesta assembleia ecuménica.
O tempo reservado ao diálogo, a partir de perguntas colocadas, manifesta uma inegável abertura ao mundo.
Digo para comigo: “Aqui estão cristãos voltados para os outros, apaixonados pela justiça e a paz.” Mas o que mais me impressionou, foi aquela vontade de viver num mundo sem discriminação. Encontra-se esta preocupação da igualdade entre os seres humanos. Igualdade de direitos. Recusa da dominação. Católicos e protestantes querem-se solidários e fermento de humanidade. Que sinal encorajador!
Jacques Gaillot in Partenia
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9 de Junho de 2008
Católicos Bem-Vindos a Sua Casa
Realmente reconfortante.
Fez-me lembrar o primeiro artigo deste blogue: Igreja: o meu lar maternal.
Um endereço a reter: http://www.catholicscomehome.org/
21 de Maio de 2008
A Reflexão
...la Réflexion, ainsi que le mot l’indique, est le pouvoir acquis par une conscience de se replier sur soi, et de prendre possession d’elle-même comme d’un objet doué de sa consistance et de sa valeur particulières: non plus seulement connaître – mais se connaître ; non plus seulement savoir, mais savoir que l’on sait. Par cette individualisation de lui-même au fond de lui-même, l’élément vivant, jusque-là répandu et divisé sur un cercle diffus de perceptions et d’activités, se trouve constitué, pour la première fois, en centre ponctiforme, où toutes les représentations et expériences se nouent et se consolident en un ensemble conscient de son organisation.
Teilhard de Chardin, "Le Phénomène humain"
Teilhard de Chardin, "Le Phénomène humain"
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20 de Maio de 2008
Noogénese e Noosfera
Sautant directement du vieux dualisme statique, qui me paralysait, pour émerger dans un Univers en état, non seulement d'évolution, mais d'évolution dirigée (c'est-à-dire de Genèse), j'étais amené à opérer un véritable «tête-à-queue» dans ma poursuite fondamentale de la Consistance. Jusqu'alors, je l'ai dit, c'est du côté de l'«extrêmement simple» (c'est-à-dire du physiquement indécomposable) que tendait à s'orienter et à se fixer mon sens directeur de la Plénitude. Désormais, puisque l'essence unique et précieuse de l'Univers avait pris pour moi la forme d'un Évolutif où Matière se muait en Pensée par effet prolongé de Noogénèse, c'est avec une extrême Complexité organique que je me trouvais inévitablement et paradoxalement amené à identifier l'extrême Solidité des choses.
[...]
deux immenses Unités vivantes commençaient à monter sur mon horizon interne, - unités dé dimensions planétaires où, par excès justement de composition et d'organicité, je pouvais voir un extraordinaire pouvoir de « consolidation par complexification » se manifester au sein de l'Étoffe cosmique : L'une où venaient peu à peu se grouper et s'harmoniser sans effort mes multiples expériences de biologiste sur le terrain et en laboratoire : l'enveloppe vivante de la Terre, - la Biosphère.
Et l'autre, pour la perspective définitive de laquelle il ne faudrait rien moins, sur mon esprit, que le grand choc de la Guerre : l'Humanité totalisée, - la Noosphère.
Teilhard de Chardin, "Le coeur de la matiére"
[...]
deux immenses Unités vivantes commençaient à monter sur mon horizon interne, - unités dé dimensions planétaires où, par excès justement de composition et d'organicité, je pouvais voir un extraordinaire pouvoir de « consolidation par complexification » se manifester au sein de l'Étoffe cosmique : L'une où venaient peu à peu se grouper et s'harmoniser sans effort mes multiples expériences de biologiste sur le terrain et en laboratoire : l'enveloppe vivante de la Terre, - la Biosphère.
Et l'autre, pour la perspective définitive de laquelle il ne faudrait rien moins, sur mon esprit, que le grand choc de la Guerre : l'Humanité totalisée, - la Noosphère.
Teilhard de Chardin, "Le coeur de la matiére"
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Matéria e Espírito

“Par éducation et par religion, j'avais toujours docilement admis, jusque-là, - sans bien y réfléchir, du reste -, une hétérogénéité de fond entre Matière et Esprit. - Corps et Ame, Inconscient et Conscient: deux «substances» de nature différente, deux «espèces» d'Être, incompréhensiblement associées dans le Composé vivant, et dont il fallait à tout prix, m'assurait’ on, maintenir que la première (ma divine Matière!) n'était que l'humble servante (pour ne pas dire l'adversaire) de la seconde : celle-ci (c'est-à-dire l'Esprit) se trouvant dès lors réduite à mes yeux, par le fait même, à n'être plus qu'une Ombre, qu'il fallait bien vénérer par principe, mais pour laquelle (émotivement et intellectuellement parlant) je n'éprouvais en réalité aucun intérêt vivant.
Qu'on juge, par suite, de mon impression intérieure de libération et d'épanouissement lorsque, à mes premiers pas, encore hésitants, dans un Univers « évolutif », je constatai que le dualisme dans lequel on m'avait maintenu jusqu'alors se dissipait comme brouillard au soleil levant.
Matière et Esprit : non point deux choses, - mais deux états, deux faces d'une même Étoffe cosmique, suivant qu'on la regarde, ou qu'on la prolonge, dans le sens où (comme eût dit Bergson) elle se fait, - ou au contraire dans le sens suivant lequel elle se défait. ”
Teilhard de Chardin, "Le coeur de la matiére"
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