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20 de junho de 2008

Encontro ecuménico


Realiza-se na Suíça, a 40 km de Zurique. Católicos e protestantes encontram-se para uma celebração anual comum, na igreja católica. O tempo está soberbo. A música e o coro são um encanto.
Sou convidado a intervir e a presidir à Eucaristia. Uma mulher ordenada estava perto de mim, no coro.
O clima do encontro impressiona-me: há uma relação de igualdade que se estabelece de imediato. Muito simplesmente, um ser humano dirige-se a outro, para lá das máscaras, dos títulos, das funções. A experiência mostra que não se pode testemunhar o Evangelho a partir de uma situação de poder, isto é, quando se tem uma relação de superior para inferior. Mas quando as relações humanas se estabelecem entre iguais, num ambiente de verdade, então o Evangelho tem oportunidade de ser anunciado. É o que se passa nesta assembleia ecuménica.
O tempo reservado ao diálogo, a partir de perguntas colocadas, manifesta uma inegável abertura ao mundo.
Digo para comigo: “Aqui estão cristãos voltados para os outros, apaixonados pela justiça e a paz.” Mas o que mais me impressionou, foi aquela vontade de viver num mundo sem discriminação. Encontra-se esta preocupação da igualdade entre os seres humanos. Igualdade de direitos. Recusa da dominação. Católicos e protestantes querem-se solidários e fermento de humanidade. Que sinal encorajador!

Jacques Gaillot in Partenia

29 de agosto de 2007

Encontro em Lisboa

Foi o 17º encontro da Rede Europeia Igreja em Liberdade. Cristãos oriundos de vários países europeus, a quem a experiência mostrou que o mundo actual se constrói no ultrapassar das fronteiras: fronteiras culturais, políticas, religiosas, geográficas, históricas… Senti admiração por estes cristãos, moldados pela abertura e pela partilha, que têm a humanidade por horizonte.
Sinal de abertura, depressa se pede que seja constituído um atelier de trabalho sobre a África. Os laços entre a Europa e a África são muitos. Existem situações intoleráveis, como as do Darfur. São feitas propostas de informação e pressão ao nível das instituições europeias.
Em África há acções corajosas, realizadas por cristãos, por religiosos/as, há bispos que se empenham a favor da justiça. Bem como documentos, alguns dos quais são proféticos. É necessário divulgar as informações.
A minha intervenção, feita em conjunto com uma portuguesa, era subordinada ao tema “O povo de Deus num mundo em movimento”.
Tive esta oportunidade de ter diante de mim cristãos em liberdade, que encontram no seu caminho gente de todos os horizontes. Fazem a experiência decisiva que Jesus conheceu. O homem de Nazaré encontrou pessoas que, no quadro da Lei, nunca teriam oportunidade de encontrar Deus.
No convento dos Dominicanos, em Lisboa, a Eucaristia concluiu o encontro. Uma eucaristia de Pentecostes, com ritmos africanos, na qual cada um e cada uma pôde tomar a palavra na sua própria língua.
Partenia

24 de agosto de 2007

Benção para os divorciados que voltam a casar


Após a cerimónia na conservatória todos, família e amigos, se reúnem em casa dos recém-casados. Ficamos de pé, um pouco apertados, na grande sala de estar.
Os recém-casados, rodeados pelos filhos, têm esta bênção em grande apreço. Para eles é um acontecimento carregado de sentido. É por isso que tomam a palavra, não só para recordarem a sua situação, mas, sobretudo, para dizerem o que tencionam fazer desta nova etapa da sua vida.
As suas palavras têm um toque de liberdade. É verdade que estão em sua casa e, portanto, mais à vontade do que se estivessem numa igreja. Mas, acima de tudo, parece-me que, acima de tudo, as suas palavras estão marcadas pelo peso da sua experiência humana. Falam com humildade e conhecimento de causa.
Estamos todos presentes para que o seu casamento seja bem-sucedido.

É distribuída uma folha, pela qual nos guiamos para cantarmos, com todo o coração: "Encontrar na minha vida a tua presença".
Os noivos apresentam-me as alianças, que eu abençoo e eles dão um ao outro:
“Recebe esta aliança, como símbolo do nosso amor e da nossa fidelidade."
A assistência aplaude.
A breve celebração é concluída com palavras de paz:
“Que a paz esteja nesta casa. Que reine sempre entre vós."
A festa continua…
Jacques Gaillot, in Partenia