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4 de setembro de 2007

Anti-Clericalismo

Em primeiro lugar quero publicamente dar um abraço ao Tilleul pelo início da sua colaboração aqui.

Foi muito simpático da tua parte.

E é muito interessante começares por um assunto tão importante na sociedade, como absurdo no conceito, o ateísmo.

Concordo com a análise que fazes que muito do ateísmo (não todo) supostamente existente é mais um anti-clericalismo que outra coisa. Será até o mais frequente em Portugal.

Esse anti-clericalismo está fora do tempo: reage contra uma Igreja que não existe, e que me pergunto se alguma vez existiu.

Mas não ponho em causa a boa-fé destas pessoas: reagem contra uma imagem fantasiosa de uma caricatura de "igreja" formada por catequeses mal apreendidas e imagens caricaturais.

Daí o encontrares a mesma imagem de "igreja" nalguns sites tradicionalistas (não todos) e nos sites sedevacantistas.

A falta de catequese e a imagem caricatural da "igreja" são comuns a ambos os casos.

1 de setembro de 2007

Fundamentalismo Ateu

Confesso que gosto de ler e ouvir os que pensam diferente de mim. Não é nenhuma tendência masoquista mas sempre acreditei que para se dialogar é necessário antes demais conhecer a verdade. Assim tenho um, chamemos-lhe "carinho" especial com meia dúzia de sites ateístas e alguns sites tradicionalistas católicos.

Por incrível que possa parecer, as opiniões, que à partida deveriam ser diferentes, são muito idênticas em particular no que diz respeito à ideia que fazem de Deus e da Igreja. No entanto e para minha grande desilusão, demasiadas vezes, em vez existir uma defesa das suas posições, o que se passa são puros ataques de ódio às posições dos outros.


No meu entendimento, um site ateísta deveria apresentar uma visão do mundo sem Deus ou, num mínimo aceitável para uma saudável convivência com o resto do mundo que o rodeia, uma recusa baseada numa refutação lógica das opiniões crentes. Exemplo disso tipo de posição é o blog De Rerum Natura, que em geral é um local onde o saber é cultivado e partilhado nas suas mais diversas vertentes com a consciência que os seus autores são assumidamente ateus. No entanto este site é uma excepção e o mais comum de encontrar na blogosfera são sites onde o gozo e o menosprezo são letras de músicas de uma nota só.

Por norma os sites ateístas em português são anti-clericais, arriscando-me mesmo a afirmar que é mais fácil encontrar um lobo ibérico que um verdadeiro ateu português.

A conclusão a que se pode chegar é que não existe ateísmo em Portugal mas simplesmente anticlericalismo. Porquê? Tão simplesmente porque um ateu é um crente na não-existência de Deus e nunca poderá ser ateu por oposição aos que acreditam. Um ateu tem uma fé não divina, num sentido de não existência de um criador. Mas o que acontece na realidade em sites como o Diário Ateista, é que o ateu tem simplesmente ódio e desprezo pelo crente.

Muitos sites, como Random Precision ou Devaneios Desintéricos, para além de serem anti-clericais, defendem um elitismo bacoco e quase xenófobo dando uso a um tipo propaganda que quer fazer passar o ateu como o ser esclarecido, científico, lógico, quase uma raça à parte e mais evoluída por oposição ao homo religiosus que é por sua vez um ser baixo na escala de evolução que não se consegue livrar dos mitos dos antepassados e das suas mentiras e por isso só pode ser alvo de chacota. A imagem de Deus, muitas vezes apresentada nestes blogs, é de um Deus mau, tirano e ainda para mais criado para oprimir e explorar as classes mais pobres e menos instruídas.

Claro que um dos alvos favoritos é a Igreja Católica, a que muitos destes blogs tratam carinhosamente por "ICAR".

Mas agora vem o mais incrível. É que as críticas apresentadas, quando não meros insultos, visam uma Igreja que cada vez menos existe e a existir também eu só contra ela.

Numa ira destruidora que nem o verde Hulk, a "ICAR" é pintada como uma hierarquia sexualmente reprimida, pedófila, que propaga uma ideologia criada pelo homem para oprimir o outro em especial os de outra raça, credo, género ou orientação sexual; que se baseia num livro que está cheio de contradições e com um conjunto de fieis que merecem apenas pena por incapacidade de se libertarem e pensarem por si próprios.

É óbvio que para estes dogmáticos ateus, qualquer tentativa de evolução é vista como uma luta pela sobrevivência e que apesar do caminho percorrido com o Concílio Vaticano II, o alvo católico continua parado no pós Trento.

É pena que assim seja, porque para a construção de uma sociedade melhor é necessário o diálogo entre todas as forças sociais. É claro que existem ateus esclarecidos, que não acreditando, aceitam que outros possam ter uma fé, seja ela qual for e não alguém que à força do mau gosto e do insulto se quer fazer passar por inteligente só porque os outros são, na sua opinião, inferiores a ele.

Num estado laico e democrático e que se quer plural, o respeito pelas minorias é um dever mas será que não se deve respeitar também a fé de cada um?

Enquanto crente e em especial sendo cristão, que se deve e pode fazer?

Em comunhão